Natureza e Graça

O homem encontra-se entre o tudo e o nada, a sua interioridade oferece-se como uma pergunta infinita, condicionada e limitada pela exterioridade e ao mesmo tempo a alteridade que resplandece na exterioridade, ameaçando qualquer capacidade de acolhida do coração humano. Mas afinal que e o homem, e um ser, um nada em relação ao infinito, tudo em relação ao nada, de algo intermediário entre o tudo e o nada, esta tenção para o outro constitui, portanto, ao mesmo tempo, a identidade do homem, tanto em sua condição trágica de ambigüidade e finitude como em sua capacidade de acolhida do dom que vem do alto. Dostoievski em sua condição “trágica” do existir do humano, e que não há nada fora do homem, e tudo se revela no homem e tudo depende dele, nas profundezas do coração do homem, ele descobre os elementos eternos, as ambigüidades estruturais, o abismo dos pensamentos duplos, ou seja, o homem em Dostoievski sofre com ele os mistérios do desdobramento adquirido o conhecimento dos opostos na luta contra o mal, e nisto que Dostoievski vê que o problema de Deus e o problema do homem, e que só no cristianismo encontra-se até o abismo desconcertante do Deus crucificado nas trevas da sexta –feira Santa. A tragicidade da existência deixa-se reconhecer no permanente assédio do niilismo, e perpassa sua obra como noturna força diretriz, uma tentação sempre pronta a desencadear-se, presságio cujo conteúdo aparece desenvolvido em sua soluções só aparentemente opostas, seja no plano violento, estático, terrorista, de uma hipótese revolucionária, seja no plano horizontal, ou seja o nada envolve o espírito na atividade de seu conhecimento do verdadeiro, de sua vontade do bem, de seu sentimento do belo. Se Deus existe, o horror do mal que devasta a terra é sem fim, mas esse horror é infinito, logo Deus existe, se existe, o horror de um mal infinito é inadmissível e Cristo é a prova esmagadora de verdade que salva a verdade alternativa às pretensas verdades que a razão é capaz de construir com suas demonstrações, se me fosse demonstrado que Cristo não está com a verdade e efetivamente resultasse que a verdade não esta com Cristo, preferiria ficar com Cristo a permanecer na verdade. A verdade que explica tudo, dignidade do sofrer revela também ambígua ao homem do subterrâneo, mas é justamente nessa afirmação trágica de si, nutrida pelos deleites mais ardentes do desespero, que o nada se apresenta, e é ai que a expiação torna-se possível, precisamente por quem se coloca diante do Deus abismado, como companheiro supremo da dor humana e, ao mesmo tempo, juiz supremo e misericordioso do pecado do mundo. Se é decisão de fé que abre à singularidade do verdadeiro revelada no Deus crucificado, o caminho da verdade se encontra com o da decisão moral, ao reconhecimento da beleza que salva, a via estética conjuga-se com o ético, e o homem e um ser trágico, pois não só a este, mas também ao outro mundo, a estabilidade e a felicidade sobre a terra só são possíveis mediante a renuncia à liberdade e à imagem de Deus que esta nele, é a revelação do homem, intimamente unida à revelação de Cristo, eis ai o mistério do Deus crucificado e ressuscitado é que se revela, em última análise, a profunda tragicidade da existência humana, se Deus fez sua a morte, o caminho da cruz permanecera para sempre nesta terra como o caminha da liberdade, juntamente porque o cálice amargo foi bebido até a última gota pelo filho eterno, o caminho que levará à vida será exatamente este. /

Pesquisa: À escuta do outro filosofia e revelação – Livro de Bruno Forte

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